Depois de ter tido a Bruna compreendi que não seria ela a responsável pela a união das irmãs. Ingrid e Michelly já eram muito unidas e a caçula até semeava ciuminhos entre as duas. Por instinto eu procurava não mimar muito a Bruna, mas era em vão, pois na primeira oportunidade me era jogado na cara que agora, a casa girava em torno da Bruna. Podia até ser que elas tivessem razão, pois não nego que ser mãe naquele momento que eu estava preparada pra ser mãe era algo novo e bem gostoso pra mim. Sentia um prazer imensurável de cumprir todas as exigências de um bebê sem me preocupar com o tempo que isso me levaria. Totalmente diferente de como foi da minha gravidez da Michelly que, por falta de tempo deixava a coitada de fralda suja, sem comer na hora certa e sem dar colo quando ela me pedia.
Agora eu me encontrava com um bebê mimado, uma adolescente confusa e uma pré-adolescente carente. Cada uma na sua situação e querendo toda minha atenção. Não bastava ser só mãe tinha que ter estratégia pra continuar dando certa a nossa relação. De todas as minhas funções aquela era a mais desafiadora. E a mais praticada era a de motorista. O leva e trás de crianças, me fazia ficar mais horas dentro do carro do que fora dele. Com tanta ocupação o tempo passava tão depressa que nem me dava conta da saudade oprimida que eu sentia da Alemanha e dos amigos que lá deixei por lá. De vez em quando eu sentia falta da neve e até mesmo daquele frio desgraçado que me deprimia e me fazia chorar. Assustei-me ao perceber que já tinha se passado um ano e meio que havíamos voltado para o Brasil. Passou depressa.
A volta foi boa e não foi por acaso. Compramos nossa casa, tivemos a nossa filha, as meninas deram uma polida no português, e até eu dei uma polida no meu ego. Estudei para o vestibular, fiz e passei, ta! Prestei vestibular para Relações Internacionais, mas o destino não quis que eu fizesse isso na teoria e deu o seu jeito de nos mandar de volta para o exterior para que eu continuasse na prática as minhas relações internacionais. Mal fiz a matrícula na faculdade, maridinho chegou em casa com a notícia de que ele havia sido escolhido para assumir a diretoria do BB em Viena, por cinco anos. Hum! Cinco anos, é? Conhecia bem essa história de cinco anos, mas não vou negar que explodi de alegria pela a notícia. Melhor que a Áustria só a Áustria mesmo. Por vários motivos fiquei feliz por ser Viena e o motivo principal foi a língua, que por ser alemão já nos proporcionava uma adaptação melhor e mais rápida no país. As crianças já falavam o alemão, eu já me virava e a Bruninha logo estaria dizendo: "ich liebe Wien" (eu amo Viena).
A experiência da ida para Alemanha me ajudou muito na organização da mudança para Viena. Com uma única diferença: quando fomos para Alemanha nossa bagagem limitava-se nas malas, filhas, um toca-fitas e um CD de Sandy e Júnior, e agora tínhamos Bruna a tira-colo e móveis suficientes para encher um "container". Pra variar, maridinho foi na frente. Tinha que assumir o trabalho, procurar escolas e casa pra morarmos. Foi, mas foi bem avisado que se me enfiasse novamente em outro "Dorf", ou seja, um bairrinho do tipo de Bad Soden, eu voltaria para trás. Dessa vez eu queria centro movimentado, barulho de corpo de bombeiro, gente nas ruas, um lugar que fosse um veneno fatal para depressão. Despachei a mudança e o marido e fiquei em Brasília cuidando do resto.
A minha saída do Brasil com as crianças estava marcada para o dia 17 de dezembro de 2002 e com tantas filhas em situação diferente levou um bom tempo para que toda papelada ficasse selada, carimbada, registrada, comprovada... se quiséssemos voar. Era Ingrid que precisava da autorização da mãe biológica pra sair do país, Michelly que precisava ter o atestado de óbito do pai em mãos, Bruna de apenas onze meses que tinha que ter a autorização do pai pra viajar só comigo, e eu para provar na Polícia Federal que apesar da quantidade de papelada, todas aquelas meninas eram minhas filhas. A confusão no aeroporto, a despedida e a partida dessa família trapo de Brasília, conto no próximo capítulo.

Vc de relações internacionais, hein? Ia ser sucessooooo! Mas de escritora, tá melhor ainda.
ResponderExcluirMenina ter um filho quando estamos preparadas e mto bom , pois ai realmente podemos ser mães sei como é ....mas em relações internacionais você ia arrasar rrsrs mas acredito que na prática esta se saindo mto mto bem se é que me entende claro bjs
ResponderExcluirOi Iram, voltei!
ResponderExcluirMinha linda, quantas saudades.
E ainda estou com dívidas por aqui. Mas a neta é muito linda, fofa, gostosa, cheirosa, ui, "dilícia". E o melhor, quando chora a mãe pega.
Já estou em casa e agora só visita. hehe
Mais uma etapa de correria em sua vida menina. Mas a vinda da Bruna foi tudo de bom. Como já te disse: ela é o elo entre todos vocês.
E vamos a Viena, ela te espera e eu o próximo capítulo.
Bjs no coração!
Nilce
Caramba Iram,
ResponderExcluirJusto qdo eu já estava formulando a imagem de vcs todas no aeroporto, tu me dá uma de "Próximo Capítulo"?
Oh, não tá certo isto não. Mas q não demore o relato seguinte, tá bom ?!?!
Bjs.
bem... só no proximo capitulo? tu deixas-me sempre com agua na boca ou a boca seca de desejo
ResponderExcluirkis .=)
Muito bem: de relações sociais ou de escritora você vai muito bem. Agora fiquei sabendo um pouco mais de sua vivência, de sua família, de suas relações com o meio ambiente. Não que isto me importe muito, preciso saber é da alma e sei que a sua é bela, generosa e de quem sabe do governo da família: das relações domésticas, muitas vezes mais importantes que outras.
ResponderExcluirPassei alguns dias ausentes, mas valeu a pena a leitura desta sua postagem, Cap. 8. Encantado. É de uma limpidez e sinceridade a toda prova.As mulheres tem coragem em tudo. Você é valorosa.
Abraços de amizade
francisco miguel de moura
Iram, querida,
ResponderExcluirImagino que um beb~e na casa deve ter gerado a maior ciumeira, mas nada que um bom jogo de cintura a la brasileira não resolva, pq a resposta esta no amor e isso vc tem de sobra.
Mais uma oportunidade de viver novas possibilidades. Isso é relações internacionais na veia, ou seja, na prática.
To curiosa pra saber da nova vida.
Bjs e linda semana
a "burrocracia" é demais viu! rs
ResponderExcluirque vida bacana essa, de lá para cá…delicia!
Uma vida cigana, Iram, como a minha, mas com uma diferença meu intinerário é brasileiro. Beijos
ResponderExcluirCada dia fico mais instigada com as teus post. Fiquei imaginando vc com tres garotas e um montao de papelada para resolver. rsrss A pessoa já aprende o que é "burro-cracia" mesmo antes de chegar. Mas normal..rsrsrs
ResponderExcluirNossa Iram.... e lá vai você novamente mudar de país, deve ter sido uma loucura.
ResponderExcluirBeijão...até o próximo aeroporto ,rsrs.
Mais uma bela descrição de vida (continuação), diga-se muito interessante!...
ResponderExcluirFicamos aguardando novos capítulos...
Não conheço Viena, mas quem sabe um dia...
Bj
Rui Pires
'' concordo cm o rui amei seu blog e ja sigo vc, nao conhecço Viena tbm mas se continuar assim não precisamos nem ir la pra ter uma ideia de como é, vc escreve mto bem...
ResponderExcluirbjos...
http://glendabianca.blogspot.com/
Com tanta experiência virtual qualquer dia a Dilma convida-a para ministra dos negócios estrangeiros!
ResponderExcluirTem o perfil certo!
Você pode dizer tenho uma vida plena; onde qualquer imprevisto, como demora nas papeladas, não é nada.
ResponderExcluirBom acompanhar a sua história.
Beijos.
Iram ,
ResponderExcluirPassei pra deixar Bjo Grande de Bom Dia,
e dizer que tenho certeza que hoje você amanheceu Mais Magra , ... Rsrs
;)
Mais BjOoooos ...............
Ai, Iram, como é bom acompanhar essa rica história...
ResponderExcluirBeijinhos,
Cá fico à espera de um novo capítulo, Iram. Esse vai e vem de carro constante, levando e pegando filho da escola e para as atividades, já também vivi; era cansativo e deu até para enjoar de carro; quando voltei para Portugal procurei morar bem no centro e assim, enquanto não chegou a hora de terem carta de condução, os meus filhos faziam tudo a pé. São adultos agora, mas mesmo assim não saio deste lugar nunca, pois caminho, como toda a gente, para velha e daqui posso ir com a minha bengalinha a qualquer lado sem precisar que os filhos tenham tempo para me pegar em casa. Nunca se sabe o que a vida nos reserva, posso até ter de viver noutro lugar mas morar fora do centro, nunca mais! Um beijo, Iram e voltarei para ler o próximo capítulo.
ResponderExcluirEmília
Vou te acompanhar nesta aventura!
ResponderExcluirSempre passo por aqui.
ResponderExcluirAdoro.
Um beijo
Mih
Oi, Iram! Que bom que veio "almoçar" comigo! Foi simples e gostoso, bifinho e arroz a piamontese!
ResponderExcluirEu vim retribuir à visita e achei este relato tocante. Nossa bagagem aumenta demais quando temos filhos, não é? Bagagem emocional e material, responsabilidades, tudo fica maior. Achei muito bom o teu relato!
beijooooo
Iram M,
ResponderExcluirPerfeito seu diário. Que mãe extremosa. Que viagens interessantes. Daí só poderia resultar num
diário agradável que se lê como se fosse uma carta íntima ou uma confissão.
abraços
francisco miguel
"...selada, carimbada, registrada, comprovada... se quiséssemos voar..."
ResponderExcluirDe onde vc desenterra estas coisas antigas hein?kkkkkkkkkkkkk
Voltei para me atualizar.....ja estava com saudades daqui.
Beijocas