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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ENTRE O GOSTO E DESGOSTO - CAPITULO 79

Não é estranho? Família é algo mais sagrado do que imaginamos. Há nela algo forte que ultrapassa a simples necessidade de almoçar e jantar junto. Esse sangue que une os membros de uma família e que esfria completamente na hora das desavenças, é capaz de ferver ao entrar em contato com a ameaça de viver distante desse ciclo vital.

Estranho também é estranhar certas coisas com as quais você nasceu, cresceu, reproduziu e pretende morrer fazendo parte delas. Depois da euforia de estar de volta ao Brasil comecei a não gostar de certos reencontros. O reencontro, por exemplo, dos nossos "outdoors" causando poluição visual até nos cegos, me incomodou logo de cara. Como que antes de morar fora, mesmo eu não sendo cega, não enxergava nada daquilo? Antes também, não me tocava tanto ao ponto de ficar melancólica, ver tantas crianças desprovidas de dignidade, soltas nas ruas se arriscando e nos arriscando à vida. Esse reencontro foi um dos piores que senti.  Tive uma triste impressão que o Brasil havia dado uma parada. Nada evoluiu em um ano. Pudera! Ou será que por eu estar vivendo num lugar muito evoluído, desejei evolução para o meu povo em tempo record?!

Não sei. Só sei que fiquei dividida entre o gosto e o desgosto. O desgosto por causa dessa ausência de qualquer perspectiva de melhorias para as nossas necessidades básicas. E o gosto por sentir que só no meu país mesmo pra ter esse sol constante, que faz das nossas frutas as melhores, a comida mais saborosa, as praias mais belas, a paisagem mais tropical, as raças mais misturadas, essa gente mais diferente de alegria espontânea, que jamais perde a esperança de que dias melhores virão.

Com essa esperança embarquei de volta ao meu lar brasileiro situado em outro país. Foram dias muito prazerosos. Em todos os sentidos. Voltei com mais vontade de aproveitar melhor ainda as oportunidades que o meu destino estava me dando e amando mais ainda a pessoa que trabalhava muito, para que a minha vida tivesse aquele conforto. Meu maridinho, que ao estrear na minha vida foi recebido com espontaneidade e a certeza de que eu nunca deixaria a pureza dos nossos sentimentos se acabar com os altos e baixos de uma vida a quatro.



17 comentários:

  1. morar fora nos dá um parâmetro para compararmos realidades diferentes. ao mesmo tempo que a gente nota muita coisa péssima, bem ruim mesmo...nota coisas maravilhosas do Brasil. por isso é bom ter essa experiência de viver fora, eu adoro!

    o negócio é curtir tanto lá como cá! tudo na vida é assim, tem um lado bom e um ruim, então vamos é curtir rs.

    bom dia

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  2. É Iram querida, é por isso que vim morar definitivamente aqui. Tenho este medo de voltar para o Brasil, só para rever amigos e parentes e ter este choque cultural e sentir que nada foi melhorado. Sei que vou querer voltar rapidinho para cá!É muito triste, nao acha? Beijos e uma ótima semana!!

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  3. Sabe Iram, lendo sua história cada vez mais percebo sua maneira simples e linda de contá-la. Acho que merecia um livro. Li agora o post anterior e acabei voltando no último da primeira parte. Cada vez mais me encanto com a pessoa que você é, na guerreira que vc é. Bjs

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  4. Oi Iram

    Nunca saí do Brasil, mas realmente não preciso, para notar as diferenças que acontecem aqui mesmo.
    Onde moramos, no sul a realidade é totalmente diferente de outros Estados, principalmente no interior.
    Uma coisa que eu me acostumei quando morei no norte velho do Paraná foi com pessoas tocando a campainha a toda hora pedindo alimento, roupas e se oferecendo para trabalhar em qualquer coisa que fosse, a troco do almoço.
    Era comum também ver crianças em semáforos, homens bêbados dormindo nos bancos de praça, ou mesmo dormindo nas ruas.
    Moro mais no sul há 4 anos e estou diariamente na cidade vizinha. Se eu te contar que nunca vi uma criança de rua, um mendigo, ou alguém pedindo dinheiro no semáforo você acredita?
    Fico pensando nas diferenças de onde você morava aqui no Brasil, com a Alemanha então.
    Pessoas, clima, educação, tudo muito diferente mesmo.
    São coisas que aprendemos a conviver e ver sem notar.

    Bjs no coração!

    Nilce

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  5. Já senti, Iram, a mesma sensação de descaso dos governantes do meu Estado só visitanto Estados brasileiros mais desenvolvidos. O desgosto é inevitável. Beijos

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  6. Olá querida Iram M. a família é, certamente, o nosso porto seguro, apesar dos pesares!

    forte abraço

    C@urosa

    "A educação faz um povo fácil de ser liderado, mas difícil de ser dirigido;
    fácil de ser governado, mas impossível de ser escravizado."
    Henry Peter

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  7. A família é importante mesmo, adoro ler-te.Bj

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  8. Realmente é essa a sençação que temos quando chegamos de um outro pais para o nosso , principalmente quando comparamos as duas realidades adorei o texto bjs

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  9. Quando eu passar pelo blog novamente vou deixar um recadinho.
    Näo é só para falar . Mas particularmente, percebo que escreves com a alma. a Redação é linda e digna de um romance. Parabéns mesmo!
    Beijos sua" aramuda" linda!KKKKKKKK

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  10. Estou gostando dos textos. Vou ter de voltar e ler mais capítulos. Estou pensando de colocar uns capítulos começados de uma história minha também no meu blog. Você me incentivou! Continue de lá que eu começo aqui. Grande abraço, Iram...

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  11. Sabe, Iram, penso que não é preciso sair do Brasil para se notarem grandes diferenças. O Brasil é tão grande que, mudando de um estado para o outro as coisas mudam completamente; parece que se foi para outro país.Num estado esbarra-se com a miséria, em outro não se vê um pedinte. Eu vou com frequencia a Guaratinguetá, perto de Aparecida do Norte onde vivi e onde nasceram os meus filhos; pois lamento dizer, mas a cidade continua do mesmo jeitinho, sem melhorias nenhumas e eu já saí de lá há 20 anos.. A minha nora é de S. Paulo, viveu e tem os irmãos lá; agora vive em Portugal; este ano, teve a mesma reacção que você, veio triste, não gostou da sujeira, das ruas mal cuidadas, enfim de uma série de coisas. Mas, olha, aqui em Portugal é tudo mais arrumadinho, mas também há lugares melhores que outros, além de que o meu país é um " ovo ". O Brasil tem coisas más e outras muito boas,com uma a hospitalidade difícil de ser igualada. Penso também que o povo brasileiro está a viver melhor, embora continue a chocar-me muito a saúde pública que é péssima e não tem mudado nada desde a altura em que lá estive.Quem não tiver convenio bem que morre.. Mas, acho que aos pouquinhos se chega lá! Adoro o Brasil, é a minha 2ª pátria e torço para que encontre uns governantes capazes de diminuirem a corrupção e colocarem o Brasil no lugar que merece.Um beijinho e fica bem!
    Emília

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  12. Eu tenho a receita pra vc achar o Brasil cada vez mais lindo, toda vez que vai de visita pra lá: é só se mudar aqui pra Angola.

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  13. Iram,


    Quanta beleza em seu texto ...
    O Amor , quando verdadeiro, sempre supera tudo.

    Muita Paz e Amor em seu Dia.
    Bjo.

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  14. Que belo texto.. Infelizmente sei que é uma triste realidade, principalmente quando agente mora em um país que organizacao é o básico. Agora, existem países piores que o Brasil, isso sim existe. Concordo com a Thais lá em cima, mas nem precisa ir para angola nao, basta ir para alguns países vizinhos do Brasil.Quanto a saudade da familia, particularmente para mim é a constante de que algo falta. parabéns pelo texto.

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  15. Ó minha querida nao é preciso emigrar para notarmos as diferenças entre os povos. até dentro do mesmo país e sendo todos da mesma nacionalidade há diferenças abismais, então no Brasil , que eu só conheço de novelas e que bem retratam o brega e o chique.
    não é?? a até nas novelas se vê casa de luxo na avenida Paulista e ao fundo as favelas.
    kis :=)

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  16. É natural estranhar, vindo de uma cultura tão diferente. Dentro do próprio Brasil estas diferenças existem entre regiões.
    Beijos

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  17. O gosto e o desgosto, infelizmente são duas vcertentes sempre a equacionar.
    Tal com o binómio Amor vs Ódio...

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